terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Fim

Aprendi muito, li de diversas maneiras diferentes. Não acredito que já esteja formada como leitora (eu que já achava que era uma leitora em potencial, rs), mas agora fiquei com um gosto especial depois de saborear as aulas da Eliana...sei que daqui pretendo continuar minha formação e continuarei escrevendo minhas impressões sobre o que leio nesse blog. Até....

Menino a bico de pena X O arquivo

" A emoção impediu qualquer resposta" ( Victor Giudice)
Comparamos os dois textos lidos. Vimos que no primeiro há a humanização do menino que antes é visto como coisa e no segundo há a coisificação de quem antes era visto como humano.
Quando ouvi a explicação que a Eliana deu sobre o desenho a bico de pena, dizendo que de longe você nem percebe direito a figura, pensei que as pessoas todas são "desenhadas" assim. Só bem de perto deciframos alguém, se é que deciframos ou apenas as enxergamos de acordo com as nossas próprias impressões....isso acontece em amizades, em relacionamentos amorosos...acontece ou acontecia? Como diria Eugênio de Andrade: "Isso era no tempo dos segredos"...
Hoje nada mais de bicos, de penas ou de pincéis finos. SEJAMOS COISAS: as caras são iguais, assim como os peitos, as barrigas, as bundas, os cabelos, os pensamentos. As pessoas nem são mais arquivos porque não carregam memórias, aliás parece que não carregam histórias....segues estereótipos, pré-definições, modas ditadas pela mídia que as escraviza e elas não enxergam.
Eu fiquei bem tocada com esse texto e tal qual a frase que postei lá em cima, acho que a emoção impede que eu prossiga....
Depois discutimos dois textos do Affonso Romano de Sant´anna onde claramente dava para perceber que devíamos "desaprender o aprendido e depois despoluir a realidade, despoluindo nosso discurso". Foi nossa última aula...Eliana pediu para que escrevêssemos sobre o percurso que seguimos nas aulas....Vamos ver se eu consigo:
Começamos nos apresentando uns aos outros e depois ouvimos outra pessoa relatar quem éramos, nossa história e nossas ambições narradas por outra pessoa. Fomos assistir a peça Leopoldina para observarmos um tipo de relato que é feito através de cartas. Falamos depois de nossas leituras favoritas e de como adquirimos a capacidade de decifrar os códigos escritos. Lemos o relato da vida de Lygia Bojunga. Fomos visitar a Cátedra, o espaço que privilegia a leitura. Depois debatemos sobre os direitos que um leitor possui e ouvimos "histórias sobre a história" da literatura mundial. Ouvimos os relatos sobre a inconfidência nos textos de Cecília Meireles. Tivemos que relatar outra memória nossa, a de um fato importante que ocorreu em nossas vidas. Novamente nosso relato foi feito na voz de outra pessoa, através do que ela absorveu diante do que contamos. Vimos outro tipo de relato, o do Borges e sua forma sucinta e simbólica de fazê-lo. Assistimos ao relato de todo um século através do filme "Nós que aqui estamos, por vós esperamos". Agora lemos "Por parte de pai" e percebemos como o autor pode dar voz a um menino, como se ele estivesse narrando a história. Pelo seminário, vi o relato da guerra de Canudos através do filme. Daí relatamos nossa vida aos oito anos a partir do poema de Casimiro de Abreu. Até chegarmos no relato do Menino a bico de pena e O Arquivo. Acho que começamos relatando memórias nossas, depois partimos para memórias coletivas para finalizarmos com a narrativa de memórias que são de dentro para fora, onde você narra de dentro do personagem, fazendo as suas impressões como se fossem dele.

Menino a bico de pena





"Como conhecer jamais o menino? Para conhecê-lo tenho que esperar que ele se deteriore, e só então ele estará ao meu alcance. Lá está ele, um ponto no infinito. Ninguém conhecerá o hoje dele. Nem ele próprio. Quanto a mim olho, e é inútil: não consigo entender coisa apenas atual, totalmente atual. O que conheço dele é a sua situação: o menino é aquele em quem acabaram de nascer os primeiros dentes e é o mesmo que será médico ou carpinteiro. Enquanto isso — lá está ele sentado no chão, de um real que tenho de chamar de vegetativo para poder entender. Trinta mil desses meninos sentados no chão, teriam eles a chance de construir um mundo outro, um que levasse em conta a memória da atualidade absoluta a que um dia já pertencemos? A união faria a força. Lá está ele sentado, iniciando tudo de novo mas para a própria proteção futura dele, sem nenhuma chance verdadeira de realmente iniciar.

Não sei como desenhar o menino. Sei que é impossível desenhá-lo a carvão, pois até o bico de pena mancha o papel para além da finíssima linha de extrema atualidade em que ele vive. Um dia o domesticaremos em humano e poderemos desenhá-lo. Pois assim fizemos conosco e com Deus. O próprio menino ajudará sua domesticação: ele é esforçado e coopera. Coopera sem saber que essa ajuda que lhe pedimos é para o seu auto sacrifício. Ultimamente ele até tem treinado muito. E assim continuará progredindo até que, pouco a pouco — pela bondade necessária com que nos salvamos — ele passará do tempo atual ao tempo cotidiano, da meditação à expressão, da existência à vida. Fazendo o grande sacrifício de não ser louco. Eu não sou louco por solidariedade com os milhares de n[??]s que, para construir o possível também sacrificaram a verdade que seria uma loucura..." (Clarice Lispector)
Essa é apenas uma minúscula parte de toda a beleza que o texto da Clarice possui. Mas não foi nada fácil compreendê-lo, passamos a aula toda nos colocando no lugar do menino, no lugar da mãe, no lugar da autora....discutindo, pensando o que cada nuance da história queria dizer. Também não foi fácil...discordávamos, relíamos, buscávamos respostas, "descoisificávamos" o menino até que ele passou a existir também diante de nossos olhos.
Aqui está a frase que mais chamou minha atenção: "...é inteiramente mágico chorar para ter em troca: mãe." Porque eu acho que minha mãe precede meu choro, ela é mais mágica do que a mãe do texto e eu sou mais poderosa que o menino, rs... Mas a descoberta da certeza de que se chorarmos seremos socorridos é maravilhosa, essa é a primeira comunicação que estabelecemos como seres humanos, a mãe nos compreende pelo nosso choro. Tem mãe que identifica o que está acontecendo com o bebê pelo tom do choro, não é fascinante? Estabelecemos nossas primieras relações com o mundo, dessa forma.
Mas encerro louvando a forma delicada como Clarice nos põe no universo do menino...delicada como a escrita a bico de pena....

Debate sobre o filme-não fui

Precisei substituir uma professora que estava com o filho doente. A coordenação não tinha quem colocar e eu fui ajudar...Perdi o debate sobre o filme...

Enfim...Sociedade dos Poetas Mortos

" Não importa o que digam, palavras e ideias podem revolucionar o mundo." Hoje deu quase tudo certo, conseguimos assistir ao filme...quase tudo porque como eu não estava na primeira aula, não sabia que a turma tinha ido para a Cátedra e perdi o início do filme...pena! Sociedade dos Poetas Mortos é para ser saboreado do início ao fim...Essa deve ter sido a quarta vez que encontrei os meninos do professor Keating, mas esse encontro foi diferente. Pela primeira vez encontrei-os após estar trabalhando numa escola somente para meninos. Enxerguei-os em cada rosto que vi na tela. Claro que minha instituição não é mais opressora e nem os professores ditos "revolucionários" são colocados para fora, mas acho que os sonhos, os desejos e as alegrias do universo dos meninos estavam estampados lá da mesma forma como os vejo todos os dias...Me emocionei mais do que das outras vezes, enxerguei coisas que talvez nunca pude olhar, porque olhei de dentro: do lugar de quem trabalha numa instituição integral que só atende meninos e do lugar de quem participa de saraus de poesias. De repente o filme parecia parte da minha vida! Enquanto assistia pensava nas atittudes daquele mestre....todo professor já é um fora da lei por natureza...trabalhamos em casa sem remuneração, trabalhamos doentes, perdemos noites pensando em estratégias, corrigindo provas, nos afogando em folhas e planejamentos...tudo que é proibido pela CLT um professor faz. Mas marcamos vidas, modificamos atitudes...ao morrermos dificilmente descobriremos que não vivemos....
"Eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido".

Henry David Thoreau

domingo, 22 de novembro de 2009

Carpem diem

Deveríamos ter assistido ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos’, mas parece que essass marcações de filmes não dão muito certo quando a Eliana não está...ficamos sem filme e sem aula...aproveitei para estudar Fonologia que para mim mais parece grego...rs!!!

Portinari

Hoje fomos visitar a exposição de Portinari na própria PUC. Primeiro tivemos uma aula de história com a Eliana, para sabermos a história do lugar onde estávamos indo. Copiei o que existe na página da PUC para repassar para vocês.


O Arquiteto Grandjean de Montigny

August Grandjean de Montigny chega ao Rio de Janeiro em março de 1816 integrando um grupo de artistas e técnicos franceses – a assim chamada Missão Artística Francesa - trazido por D. João VI para desenvolver a indústria e a cultura brasileiras.
Arquiteto oficial, professor de arquitetura, paisagista e urbanista .
Conhecido e conceituado na Europa, tendo recebido, entre outros, o II Grand Prix de Rome e executado projetos na França, Alemanha e Itália.
Emigrou para o Brasil com a incumbência de projetar a sede da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, integrando o Instituto Acadêmico idealizado na Corte Diretor da Academia em 1834.
Patrono da Arquitetura no Brasil.
Morou no Rio de Janeiro, onde construiu sua residência, até seu falecimento.
Suas principais obras
• Alfândega – II Tribunal do Júri atual Casa França Brasil.
• Mercado - demolido
• Senado - projeto não executado
• Biblioteca Imperial – projeto não executado
• Escola Real de Ciências Artes e Ofícios – demolido. O frontão encontra-se no Jardim Botânico
• Sua residência na Gávea o Solar Grandjean de Montigny – CCPUC-Rio.
• Realizou trabalhos como urbanista e paisagista

Residência na Gávea
"É anterior a 1831, a casa de residência do mesmo Grandjean porque foi retratada por Debret que, nesse ano, deixou o Brasil. Ficava na Rua Marques de São Vicente na Gávea, a qual soube ter compromisso com as nossas casas de chácara e apresenta igualmente, inequívoca ascendência européia: por causa do compartimento circular que lhe marca o eixo aos fundos, provido de graciosa entradinha, delimitada por pilastras, encimadas de um minúsculo frontão e pelas telhas de canal ...” Prof. Paulo Santos
Em 1980 depois de restaurado foi revitalizado como o Solar Grandjean de Montigny - Centro Cultural da PUC-Rio .
Até é o espaço para realização de atividades culturais e artísticas e representa um elo especial entre a Universidade e a comunidade.



Portinari é tudo aquilo que já sabemos e um pouco mais. Disse a Eliana que falamos tanto em memória durante as aulas e eu tenho Portinari na minha memória, os quadros dele parecem que me acompanharam a vida toda. Ela disse que essa impressão deve-se ao trabalho do Projeto Portinari que popularizou suas obras. Como é possível e permitido a reprodução, colocarei aqui os dois quadros que mais chamaram a minha atenção na exposição. O primeiro porque achei muito chocante as pessoas chorarem a ponto dos olhos parecerem sai nas lágrimas e o segundo por conta da sensação de vazio que me deu ao ver esses espantalhos guardando a plantação vazia.


Ausência

Minhas infinitas provas de redação me obrigaram a faltar novamente....snif...snif...snif...

RECORDO AINDA...

Recordo ainda ... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite mortal!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada fora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Meus oito anos


Começamos vendom um balangandã e aprendendo que ele é uma forma das mulheres se aquecerem e contarem as outras coisas do universo feminino.
A infância é uma pátria diferente, compara o passado e o presente.

Talvez oito anos englobem muitos anos dentro do que vou contar. Quando meu avô morreu, saímos do apartamento na Tijuca e fomos morar na casa em Jacarepaguá. A casa foi construída pelo meu avô, foi a segunda casa construída nesse bairro, sem as dimensões das fazendas ou chácaras da época. Entre a Av. Sernambetiba e Jacarepaguá, meu avô optou pela segunda por achar que a primeira não tinha futuro. A casa era enorme, o quintal idem. Para mim, sair da Tijuca e ir até lá equivalia a viajar Rio-SP. Mas quando chegávamos para ver as obras, antes da mudança, eu enxergava quase um parque de diversões naquele terreno todo. A casa era tão grande que foi dividida em duas casas independentes. Minha avó morava nos fundos e nós na casa da frente. Durante as obras, moramos eu, meu pai, minha mãe e meu irmão num acampamento na copa e na cozinha. O que era um estresse para minha mãe, para nós era uma festa! O colchão no chão da casa improvisada...como nossos acampamentos de lençóis no quarto.
O quintal tinha cajá, sapoti, muita manga, banana, manga, laranja da terra, manga, goiaba, manga, mamão, manga, abóbora, manga, tomate, manga, chuchu, manga, balanço, galinheiro, piscina, pista para andar de bicicleta, pneus (porque ainda não existia dengue), flores e folhas de todos os tipos e cores para minhas bonecas se deliciarem com minha culinária....Também tivemos inúmeros cachorros (sempre um de cada vez), gatos, coelhos, porquinhos-da-índia, passarinhos, morcegos (que não eram nossos, mas existiam) e pintinhos da feira de animais (que teimavam em virar galos, nunca eram galinhas).
Lembro que adorava a época das mangas porque todos batiam a nossa porta para pegar as sacolas repletas....Como eu comia manga! E quantas horas eu passava sem poder tomar leite porque minha avó não deixava.
Tinha também o quintal da casa da minha avó paterna onde todos os domingos ia brincar com meus nove primos (hoje somos 22, desde o último censo familiar) e todos eram meninos! Sei que quando enjoava de tanta pipa e futebol chorava tanto que colocava toda a “homarada” para brincar de casinha.
Foi também com oito anos que tive um edema cerebral e fui parar no hospital...mas isso contei em outra página da minha memória.
Aqui posso dizer que minha infância acabou quando mais ou menos aos 25 anos venderam e derrubaram essa casa.

Canudos


Estamos na Semana de Letras e também do Seminário de Euclides da Cunha. Como no semestre passado estudei esse autor em literatura e Cultura Brasileira optei por assistir ao filme “Canudos”, já que no outro semestre apenas vi flashes da história.
Fico triste com o buraco histórico que a minha geração carrega. Antônio Conselheiro para mim tinha sido um vilão e a Guerra dos Canudos tinha sido um grande trunfo da República. Realmente toda história tem muitos lados....Canudos foi um massacre de inocentes. Eu já tinha aprendido isso, mas imagino que talvez, se não fosse Euclides, essa verdade jamais teria aparecido.
Euclides fez um relato que interferiu na forma de sabermos a história. O filme tem uma fotografia lida e é muito bem feito. Pela primeira vez fiquei com vontade de ler “Os Sertões”...anotei na minha caderneta de campo como a próxima coisa urgente a fazer!

Por parte de pai


Discutimos sobre o livro “Por Parte de Pai” de Bartolomeu Campos Queiroz.
O livro me emocionou muito, primeiro porque meus avós morreram cedo, principalmente o avô por parte de pai. Esse convívio delicioso do colo do avô eu não tive ou tive muito pouco, já que o materno falesceu quando eu tinha 4 anos. Sempre peguei os avós dos outros emprestados e dessa vez tomei o avô do Bartolomeu.
O livro tem a delicadeza e a sutileza dos avós que já atravessaram boa parte da vida e sabem deixar de lado essas quinquilharias que carregamos nos ombros quando somos mais jovens.
Duas coisas foram colocadas no debate:
1- O fato do autor ter usado como artifício narrativo um adulto escrevendo com a perspectiva de uma criança. Isso me fez lembrar muito Mário Quintana na poesia “O Circo O Menino A Vida”
2- O fato do avô apresentar um comportamento tipicamente infantil, que é a mania de escrever nas paredes.
Seguem alguns trecho que destaquei do livro para dar um gostinho e uma vontade de ler:
“ Nunca recebi dez com louvor,
Sempre sete com distinção”

“ A casa do meu avô foi meu primeiro livro.”

“ Viver sem esperança é como ter casa sem janela.”

“ Havia tanto mundo para ver, dava até preguiça...Uma coisa meu avô sabia fazer: olhar. Passava horas olhando o mundo...Ele não via só com os olhos. Via com o silêncio.”

“ Para quem sabe ler, um pingo nunca foi letra.”

“ Entre pensar e fazer, existia uma viagem grande e eu sempre me perdia no caminho.”

“ Para um homem que não mais saía de casa, “sete léguas” era muito mundo.”

“ Dor, quando é demais, não dói.”

“ As palavras têm muitos gostos – pensava – e era impossível saber seus sabores verdadeiros.”

“ Os olhos precisam de conforto.”

domingo, 15 de novembro de 2009

Richoeur


Cheguei e fiquei sabendo que a aula seria a ida ao seminário sobre Lichoeur. Puxa! Me senti tal qual Herbert Vianna entrando de gaiato no navio...Não sabia de quem estavam falando, aliás não sabia nada...E aí, vem o velho problema dos seminários acadêmicos: as pessoas sentam e lêem páginas e mais páginas....INFINITAS para os que apenas assistem. Não sei se as pessoas possuem uma concentração melhor que a minha, mas eu, antes da metade da leitura não estou mais prestando atenção em nada do que está sendo dito, SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO! E a falta de capacidade de compreender o que estava acontecendo foi dando um sono absurdo. tentei buscar o resto da minha concentração...ouvi algo sobre Freud, não me perguntem o que, meu olho pesou, fiquei ponderando o que era pior: ficar e dormir ou sair! Pensei em tudo o que tinha para fazer e saí....Pode não ter sido a melhor escolha, pode ser que me arrependa por ter optado pela ignorância naquele momento, mas sucumbi!

Para não ficar na ignorância:
Paul Ricoeur (Valence, 27 de Fevereiro 1913 - Chatenay Malabry, perto de Paris, 20 de Maio de 2005) foi um dos grandes filósofos e pensadores franceses do período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial.
Foi no pós-guerra académico na Universidade da Sorbonne. Passou também pelas universidades de Louvaina (Bélgica) e Yale (EUA), onde fez uma importante obra de filosofia política. Ricoeur participou em debates sobre a linguística, a psicanálise, o estruturalismo e a hermenêutica, com um interesse particular pelos textos sagrados do cristianismo.
Cristão e antitotalitarista, notabilizou-se pela oposição à guerra da Argélia (1954-1962) e à da Bósnia, em 1992. Entre as suas obras contam-se Histoire et Verité (1955), Soi-même comme un autre (1990), La Memoire, l'histoire, l'oubli (2000) e L'Hermenéutique biblique (2001).
Morreu sexta-feira, dia 20 de Maio de 2005, noticia o Jornal de Notícias

Dessa vez quem não compareceu fui eu

Não pude comparecer à aula. As férias "suínas" que terminaram em meados de agosto, de vez em quando refletem no acúmulo de trabalhos, de provas a corrigir e eu acabo precisando faltar a faculdade para ficar na escola tentando dar conta de tudo. Sei que hoje teve a discussão do filme, uma pena que não tenha participado!

Nós qua aqui estamos, por vós esperamos...


Assistimos uma retrospectiva do séc XX através do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos". Lembro que quando ouvi o nome desse filme, na época em que foi lançado, logo fiquei com muita vontade de assisti-lo por causa do título. Achei tão bonito....Um dia comentei isso com uma pessoa da faculdade, a "estraga prazeres" me disse que essa frase era uma inscrição na entrada de um cemitério! Fiquei tão chocada que desisti de assistir ao filme. Pura bobagem! Nós que nascemos no século XX e somos frutos dele, temos o dever de assistir esse longa. Achei interessante que os fatos apareçam a partir de histórias de pessoas comuns, que não foram personagens principais do século. Me deu a impressão de que de alguma forma estamos imprimindo na história da humanidade a nossa passagem terrena...estou imprimindo a minha, talvez agora, nesse blog! Quem sabe um dia ele não sirva para algum pesquisador? Eu que aqui estou, espero por isso! rs....

A falta que você me faz
















Hoje não houve aula. Eliana já tinha avisado que faltaria, mas disse que iríamos assistir um filme. Ninguém apareceu para passar o tal filme e a tarde ficou vazia....Mas a página não ficará. Como meus textos estavam num rascunho e só hoje pude publicá-los no blog. Vou colocar umas fotos que tirei de poesias escritas num muro no Morro de São Paulo na Bahia. São para Eliana, que me fez lembrar que ainda escrevemos nos muros como se escrevêssemos nas paredes das cavernas....

Conversando sobre relatos

O trânsito caótico do Rio de Janeiro fez com que eu chegasse atrasada hoje. Perdi a leitura que Eliana fez do seu relato (a história do vigia que acreditava que a casa era mal-assombrada), uma pena. Passamos a aula falando ainda sobre relatos. Eu não anotei nada nessa aula, passei o tempo prestando atenção no que Eliana dizia e cometi o pecado de não registrar nada nem na hora e nem no dia seguinte. Sei o assunto, mas não sei escrever sobre ele...Para tentar amenizar minha falha deixo aqui o texto que Eliana citou e que posso reproduzir porque achei tão lindo que me preocupei em anotar o nome.

Os cisnes
A vida, manso lago azul algumas
vezes, algumas vezes mar fremente,
tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
matinais, rompe um sol vermelho e quente,
nós dois vagamos indolentemente,
como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
quando chegar esse momento incerto,
no lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

Júlio Salusse

O Cativo

Ouvimos e lemos nossos relatos, novamente os universos de cada um foram expostos. A história da Rafaela era triste, muito triste, não havia o que pudesse florear...mas havia relatos que mesmo tristes foram expostos de tal forma que em alguns momentos chegamos a rir. Foi o caso de uma pessoa que relatou o dia do golpe de 64, comparando os tanques a elefantes. Fiquei encantada com tudo o que ouvi. A Eliana também veio com a história do vigia que não queria deixá-la entrar na casa recém-alugada para ser seu escritório pois acreditava que era uma casa mal-assombrada. Então, Eliana aproveitou-se do fato e deu de presente para ele uma coleção de livros que falavam de fantasmas.
Depois lemos o texto "O Cativo" de Borges, que encerra esse meu relato. Texto maravilhoso! Depois da leitura, prosseguimos falando de memórias e da forma belíssima e sucinta que Borges tem de relatar algo.
"Eu quereria saber o que ele sentiu naquele instante de vertigem em que o passado e o presente se confundiram: quereria saber se o filho perdido renasceu e morreu naquele êxtase ou se conseguiu, como uma criatura ou um cão pelo menos, reconhecer os pais e a casa." (Borges-O Cativo)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pedaços de mim

Hoje começamos lendo "Guilherme Augusto Araújo Fernandes" , uma história infantil que fala sobre memória, a mesma que trabalhei no Simpósio Internacional de Contadores de História no início de agosto...que belo reencontro. Falando em memórias pra cá, em memórias pra lá...não deu outra: tivemos que recordar um fato importante das nossas vidas e relatar para um colega. Fiz dupla com a Rafaela. Primeiro a difícil escolha do tema. Mil coisas vêm a nossa mente, mas o que seria interessante o outro ouvir? Sei lá! Resolvi relatar uma coisa onde o meu relato em si já é impregnado de outros relatos:
Quando eu tinha uns 7 anos, minha mãe saiu e me deixou em casa com sua madrinha, que na época devia ter uns 90 anos. Eu estava desenhando na mesa da cozinha e ela colocou um leite no fogo e esqueceu a leiteira no fogão. O leite ferveu, apagou o fogo e eu fiquei ali por muito tempo inalando o gás, até que tivesse a percepção do cheiro e fosse no fogão desligar o acendedor. Isso ocorreu à tarde, à noite já comecei a passar mal: vomitei, tive alucinações, que é o que me lembro com mais nitidez...as bonecas dançavam, coisas pulavam, conversava com minha no quarto e ela nem estava lá. Até que desmaiei. Meus pais chamaram a ambulância e aí minhas lembranças são apenas flashs: lembro de ver minha mãe entrar na ambulância, apaguei, lembro do aparelho de tomografia, de onde tentei levantar, levei uma cabeçada, apaguei de novo, lembro de estar no colo do meu pediatra, ele conversando comigo, apaguei...lembro de colocarem o soro no meu braço, eu chorava muito e apaguei de novo. Sei que fiquei 1 semana no hospital. Tive um edema cerebral que os médicos não entendem como dissolveu e como não trago sequelas. Não lembro dessa história do leite, do gás, lembro que estava desenhando e lembro das alucinações, o resto "me contaram que eu contei". Do hospital lembro de um menino que já estava lá há 8 meses e que tudo era motivo para me ameaçarem de ficar lá esse tempo: se não comer, vai ficar aqui igual a ele, se não tomar o remédio vai ter que ficar aqui....lembro que dormia com o soro esvaziando e ficava arrasada porque acordava com ele cheio novamente. Também lembro que a volta para casa foi uma festa, recebi todas as visitas que pude, ganhei todos os brinquedos que quis, comi tudo o que pedi! Fiquei um tempo sem poder ir à escola até que minha " memória"(olha ela aí!) voltasse ao normal, porque a princípio esquecia de tudo com muita facilidade! É isso....

Romanceiro da Inconfidência


Nooooosssaaaaa! Quanta coisa perdi em apenas uma aula! Ok, já era esperado..mas tinham "zil" coisas para a aula de hoje que eu não sabia! Tinha que trazer o diário e eu só tinha impresso metade, o restante está aqui na NET, fui obrigada a ficar até 19h30min na PUC tentando primeiro refazer o que já havia feito e depois colocando em ordem para a Eliana ver, fora que foi uma fortuna imprimir tudo na faculdade. O pior é que quando cheguei na Cátedra ela já estava fechada. Também tinha que trazer um livro da Cecília Meireles " Romanceiro da Inconfidência" que minha ignorância literária não permitia que eu soubesse da sua existência(ai!). Lógico que não levei o livro, não tinha como...mas muita gente da turma assistiu a aula e não levou, a Eliana então iniciou um debate sobre o uso das bibliotecas públicas, ou melhor "sobre o não uso, sobre a falta de hábito de usá-las". Para ler realmente não frequento nenhuma, frequentei para pesquisa a Biblioteca Nacional e procuro o que quero no São Bento ou na PUC, mas biblioteca pública realmente não frequento, até disse que o horário que teria disponível, elas já estão fechadas, o que é verdade, mas assumo que também não tenho o hábito.

Depois passamos para a leitura do livro, mas antes discutimos sobre o termo "inconfidência" que foi dado pelos portugueses por conta da traição daqueles mineiros... pelo que pude entender cada um teria que escolher um trecho para ler em sala. Pelo que pude ouvir é livro de poemas sobre a Inconfidência Mineira, mas nem sempre sobre os acontecimentos principais, às vezes sobre detalhes muito sutis...Fiquei morrendo de vontade de ler!

Day after: Cheguei no São Bento e fui logo à biblioteca procurar o Romanceiro, que agora está em minhas mãos! Não sei se tem isso em todas as edições, mas na capa do meu vem escrito " Nova edição com um texto inédito de Cecília Meireles sobre como escreveu o Romanceiro da Inconfidência" , adorei...comecei a ler justamente por aí. Eu tenho um carinho especial por Ouro Preto, adoro essa cidade, é uma aula de história a céu aberto...aliás gosto de todas as cidades históricas mineiras e estou amando o livro. Segue um trecho em que Cecília traduz bem o que eu sinto cada vez que visito Ouro Preto:

" Quando, há cerca de 15 anos, cheguei pela primeira vez em Ouro Preto, o Gênio que a protege descerrou, como num teatro, o véu das recordações que, mais do que sua bruma, envolve estas montanhas e estas casas -, e todo o presente emudeceu, como plateia humilde, e os antigos atores tomaram suas posições no palco" (página 13)

Outra falta

Não pude comparecer hoje, tive Conselho de Classe no São Bento, que seria amanhã, dia 22, mas devido ao Dia Mundial sem Carro (que aqui no Rio é sem carro e sem transporte coletivo) resolveram antecipar a reunião. Teria que sair da Puc às 15h30min no máximo. Como a aula só começa às 15h, não adianta ir...uma pena! Mas vamos preencher esse vazio literário com poesia!!!

FERNANDO PESSOA
Poemas de Alberto Caeiro

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A LITERATURA E SUAS HISTÓRIAS

A aula de hoje teve muita...muita...muita informação! Eu não gosto de ficar anotando para não contaminar o que escrevo, porque escrevo exatamente o que absorvo de tudo, mas diante de tanta riqueza talvez tenha que mudar meu método!
Falamos sobre a história da literatura, ou melhor, pinceladas dessa história. Fiquei bastante impressionada ao relembrar do tráfico de livros...dos livros proibidos...da beleza dos "copistas" que faziam a mão o trabalho das nossas hoje moderníssimas máquinas de impressão...das pessoas que roubavam livros! Li no ano passado, nas inúmeras horas de voo para a Austrália "A menina que roubava livros", que mostra todo o horror do nazismo, a queima dos livros "proibidos" e por um outro lado o encantamento de uma menina com a literatura. Ela era tão apaixonada por ler que passa a roubar livros. Ouvi muito sobre vários autores, me surpreendi ao saber que as línguas são o que são por conta da literatura. Assistir a aula da Eliana é um presente. Maurício, que está comigo desde o primeiro período, visitou a aula e leu um poema de Mário Quintana. Não aguentei e falei outro:
Se o Poeta Falar Num Gato
"Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa antiga sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada de caracol...
Se não falar em nada e disser simplesmente tralalá...
Que importa?Todos os poemas são de amor!"

Os direitos do leitor

Lemos um texto do Veríssimo com o mesmo título que dei a essa postagem! Como eu imaginei, assim que bati meus olhos nele, fomos parar em Daniel Pennac, o cara que tem uma das frases que mais influenciaram na minha formação como Pedagoga: "Que pedagogos éramos quando não tínhamos a preocupação com a pedagogia!" Pois daí discutimos sobre o direito de ler, de não ler, de não "perturbar" quem escreve (brincadeirinha, Veríssimo)...e foi pedido que escolhêssemos um dos direitos para escrever sobre ele. Como sou "fominha" escolhi dois, somente porque com a quantidade de coisas que tenho para dar conta não posso falar de todos, rs! Lá vamos nós:
1- O DIREITO DE RELER
Eu fico encantada com as crianças que quando gostam de uma história querem ouvi-la "trocentas" e incansáveis vezes. Vamos crescendo e passamos a não ter tempo...mal dispomos dele para ler...quanto mais para reler! Deveria ser mais que um direito, deveria ser uma obrigação: RELER SEMPRE ALGO QUE VOCÊ GOSTE!

2- O DIREITO DE LER EM QUALQUER LUGAR
Eu leio em qualquer lugar. Quando trabalhava em Copacabana e não tinha carro lia no ônibus e no metro (desculpe oftamologistas de plantão, mas lia mesmo!). Acho "louvável" a ideia da biblioteca existente nas estações de metro...Outro dia vi uma reportagem que mostrava que nas balsas do Rio Amazonas estão distribuindo livros para as pessoas lerem durante a viagem. Eu sou maníaca, se for para algum lugar que demande um mínimo de espera (salão de beleza, médico, sala de espera de qualquer coisa) já saio com o livro na mão. Qualquer lugar serve para um bom livro, ele ocupa qualquer espaço.

sábado, 19 de setembro de 2009

Imagens da Cátedra Unesco de Leitura PUC-RIO

Coisas bonitas para olhar....
Dom Quixote




ELO

Livros, livros e mais livros





Não lembra casa de vó? Delícia sentar aí para ler...








Olha quem guarda nossas histórias...




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cátedra Unesco de Leitura
















Nem sei se hoje é realmente o melhor dia para escrever..ainda estou muito maravilhada com o que vi! Descobri que formação de leitores é coisa de gente grande, rs! Como todo lugar que se propõe a formar um leitor deve ser, a cátedra tem alguma magia no ar...talvez pelos personagens que fui identificando em cada bonequinho que avistei no caminho, talvez pela proposta do ELO (vão ter que pesquisar para saber o que é, aprendi hj que só podemos mostrar o caminho...) ou talvez por conta da biblioteca tão aconchegante que encontramos no final! Não sei, mas já decidi que tenho que trabalhar naquele lugar quando crescer.

Bojungando




" A gente bota essas experiências fortes de lado mas elas ficam acontecidas dentro da gente; e oas fragmentos delas formam um novo desenho lá no fundo do nosso caleidoscópio. Um caleidoscópio que o tempo vai virando. Só que no nosso caleidoscópio as imagens vividas - mesmo parecendo que nunca mais vão voltar acabam aparecendo de novo - porque a gente não deixa de ser cada desenho que criou"
(Lygia Bojunga Nunes em Um encontro com Lygia Bojunga Nunes)

Vejo o desenho de Lygia Bojunga formar-se em minha frente. Ela foi uma das "experiências fortes" que deixei de lado, "Os colegas" foi o primeiro livro de muitas páginas e poucas figuras que li. Lembro que queria começar logo e ao mesmo tempo não queria começar nunca...eram muitas letras, muitas palavras...mas eu fiquei fascinada com aquela história e me sentia "muito gente grande" por ler um livro tão longo.
Ouvir os relatos de Lygia transporta-me para um lugar onde jamais pensei em estar: NA HISTÓRIA DE UMA GRANDE AUTORA. Peguei toda a obra infantil de Lygia para ler, reler e resgatar o meu encantamento de menina, que está guardado num bolsinho da Bolsa Amarela que um dia Lygia nos deu...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Como aprendi a ler...


Oba! Notícias quentinhas...voltei à vida!!!! Cheguei um pouquinho atrasada por conta de um engarrafamento e-nor-me no Túnel Rebouças, nem percebi que a turma estava dividida em dois grupos, só vi depois que sentei. Um grupo ( o que eu sentei) tinha que escrever sobre como aprendeu a ler e o outro (o que eu deveria ter sentado, rs) tinha que escrever sobre um livro que tivesse marcado sua vida.

Como diz Adélia Prado " Aceito os subterfúgios que me cabem..." e segue o texto que escrevi:

Lembro muito pouco do processo em si. Sei que morava na Tijuca, que minha tia era professora e que foi me ensinando a ler e a escrever os nomes das pessoas da família e as palavras como: vovó, vovô, papai, mamãe etc. De alguma forma eu percebi que minha tia não lia o que estava escrito nos livros então queria saber ler para ler a história que estava escrita e queria ir para escola para aprender a escrever tudo. Fui matriculada no antigo "Jardim de Infância" (ai, meu Deus...antigo) aos 4 anos e tornei a vida de todos um inferno! Dizia que os trabalhos eram coisa "de criança", que as crianças da turma eram bobas pq não escrevia nem o próprio nome e a professora era burra pq não ensinava as palavras. Como não queria mais ir para escola, fui transferida para uma tal de CI (classe intermediária) onde devo ter começado a ler e a escrever alguma coisa. Após esse CI deveria ter feito o CA e depois a primeira série...mas tivemos que nos mudar para Jacarepaguá e não existia CA nessas bandas! Então fui direto para a primeira série em uma escola pública (como ouvinte, porque nem podia ser matricula pois tinha menos de 7 anos). Não consegui acompanhar o conteúdo da primeira turma que frequentei, mas me apaixonei pela professora. Passei para outra turma e odiei a "mestra"(ui). Lembro da cartilha "Davi, meu amiguinho" e acho que o vínculo que deveria ter com a professora, desenvolvi pela cartilha. Eu tinha 5 anos, estava numa turma enorme, numa escola imensa...mas segui em frente e acho que foi nessa escola que aprendi a ler!
Metendo o bedelho no outro grupo (não resistiiiii), meus livros preferidos são "Dom Casmurro" , pela luta que travei com ele aos 12 anos (luta que ele perdeu quando, num acesso de loucura, foi jogado atrás do armário e só retomei essa leitura aos 25 anos...).
Outro foi o "Feliz Ano velho" que fez com que eu me A-PAI-XO-NAS-SE pelo autor. Apaixonar mesmo, no sentido "bíblico!, rs...assistia todas as entrevistas, li outros livros dele...se ele um dia chegar nesse blog, é bom que saiba que foi minha primeira paixão platônica-literária!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Perdi meus poderes....


Ontem sucumbi! Não pude comparecer à aula! Estou com uma infecção de garganta misturada com uma virose....(tudo junto e misturado, rs) que me deixa trancafiada em casa, presa na minha cama, como se não houvesse amanhã... A fraqueza é o pior dos sintomas, mas estou melhorando e em breve poderei contar o que "anda rolando" pela PUC...Mas já que estou por aqui, não ficaremos sem poesia nem um dia. Segue um trecho do Caio Fernando Abreu que traduz muito o que sinto agora:
"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada."

E uma fotinho minha, como dizedora de poesias....

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Infinitos particulares


Hoje foi o dia das apresentações! Formamos duplas e tínhamos que nos apresentar para o companheiro e depois em roda, um apresentar o outro para a turma. Cada um tinha cinco minutos para falar de si! Imagina!!!! Resumir a vida em cinco minutos! Acontece que o falar de si, acaba sendo falar do que se fez, poucos falaram de si...mas alguns confessaram suas preguiças, suas alegrias, suas tristezas, suas idades....enfim "as dores e as delícias de cada um ser o que é "! Fiquei impressionada com o bombeiro que faz letras, com a menina de 17 anos que fala japonês, chinês e quer aprender hebraico!!!! Me surpreendi com a quantidade de pessoas que declararam que querem seguir o magistério e a quantidade de pessoas ligadas a música, as artes, a literatura...ENCONTREI MINHA TRIBO! rs...A primeira leitura visual que fiz da turma nem de longe chegou perto dessa leitura auditiva, agora seguiremos imprimindo nossas vidas nas vidas uns dos outros...e refazendo leituras! Que bom!


"Eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito criando conceito pra tudo que restou?"

"Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou"
"Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu" ( O Teatro Mágico)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Leopoldina, cartas de uma imperatriz

Conforme previsto, compareci a aula que seria para assistir a peça "Leopoldina, cartas de uma imperatriz". O texto foi adaptado a partir das cartas e do diário da esposa de Dom Pedro I. Fiquei fascinada com a poesia que a montagem carrega, com a história dentro da história, que jamais seria conhecida se Dona Leopoldina não tivesse a genialidade de registrar suas impressões, seus sentimentos. Claro que ela não deveria desconfiar que hoje em pleno sec XXI esses assuntos tão particulares viriam à tona. Que bom que vieram, que bom que estavam lá. Fiquei encantada em olhar o universo feminino daquela época com uma lente tão poderosa! Não tinha nenhum "vínculo" com essa senhora até o dia de hoje, passei a admirá-la porque através de seus registros enxerguei seus sonhos, seus desejos, suas amarguras, suas decepções, a enxerguei como mulher, pude ler o que a pintura no museu nunca me mostrou! Li ouvindo...li sentindo...li admirando...li me transportando para aquela história...li, pude saborear...como dizemos no teatro, quando compreendemos um texto a ponto dele sair de forma natural: ESSE TEXTO DE HOJE, JÁ ESCORREGOU PARA DENTRO DE MIM!

Mais academia

Ok! A aula não era sobre a ABL, mas não dá para deixar tanta beleza escapar aos olhos....

























ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS



terça-feira, 18 de agosto de 2009

Começar de novooooooo.......





Ontem comecei de novo as aulas na PUC. Depois de quase 3 meses afastada no último semestre por conta da substituição no São Bento, finalmente voltei a ser aluna!!! Fui para assistir apenas uma aula...finalmente "Formação do leitor", matéria que não tenho tempo de fazer desde o primeiro período. Fui naquele clima de tenho que me despedir da PUC...Porque uma faculdade que oferece um curso manhã/tarde (leia: in-te-gral) não foi feita para uma pessoa que tem pai pobre e precisa trabalhar...NEM DOTE EU TENHO, POR ISSO NÃO CASEI! kkkkk...

Aí, "estava eu, absorta em meus pensamentos (gostou?)" e a professora interrompeu meu processo "eu não sou daqui ...marinheiro só", não sei exatamente em que ordem as coisas aconteceram, acho que ela disse há quanto tempo trabalha na instituição, explicou o porquê da existência dessa cadeira no curso e começou a falar de MONTEIRO LOBATO! Primeiro só eu e mais uma pessoa na sala havia lido tal autor, embora claro, todos conhecessem (viu? Rede Globo também é cultura), Mas só pelo que a prof disse, senti que li muuuuito pouco do sr. Lobato. Aliás, estudei Pedagogia e ninguém me disse que Monteiro Lobato fazia parte do movimento da Escola Nova...pronto, ela capturou meu pensamento de vez! Daí disse que a geração que leu Lobato virou uma geração diferente!
Percebi que ela formou-se leitora lendo Lobato! Eu não...li, mas não foi ele quem me formou diferente! As histórias do Sítio povoaram minha infância, mas não através dos livros...Mas outros autores me formaram...Lembro do meu pai lendo Ruth Rocha à noite, na minha cama, do quanto eu ria com Marcelo, Marmelo, Martelo e da dificuldade que tinha em compreender o genial trocadilho "seus, dele...não seus, seus" que estava presente No rei que não sabia de nada. A história mais política da minha infância! Por causa da lembrança desse contador de histórias que foi meu pai, na última Bienal do Livro, quando dei de cara com a Ruth no banheiro, comecei a chorar...Também vivi minha paixão pelo Menino Maluquinho...mas ninguém teve um papel tão importante para mim, quanto PEDRO BANDEIRA, graças a Deus tive o prazer de contar isso a ele numa carta e depois pessoalmente...por conta daqueles livros que não permitiam que desgrudasse, eu passei a amar o ato de ler e a trocar qq outra coisa por um livro! É isso...descobri que Pedro Bandeira e Ruth Rocha foram os meus Monteiros Lobatos!

A próxima aula será uma peça na ABL...às 15h, tenho aula de Fonologia nesse horário. Seria minha primeira aula, mas não será possível prestar atenção em nada sabendo que tem alguém assistindo uma peça e que nesse teatro há um lugar para mim! Começo Fonologia semana que vem...

Por fim, como se eu não tivesse suficientemente prisioneira da professora e da aula...ela vai e remexe em outra paixão minha (em duas) contou uma história de Mário Quintana! Penalti!! Ai! Como me despedir da PUC agora??!!!