terça-feira, 29 de setembro de 2009

Outra falta

Não pude comparecer hoje, tive Conselho de Classe no São Bento, que seria amanhã, dia 22, mas devido ao Dia Mundial sem Carro (que aqui no Rio é sem carro e sem transporte coletivo) resolveram antecipar a reunião. Teria que sair da Puc às 15h30min no máximo. Como a aula só começa às 15h, não adianta ir...uma pena! Mas vamos preencher esse vazio literário com poesia!!!

FERNANDO PESSOA
Poemas de Alberto Caeiro

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

Um comentário:

  1. Adoooooooooro!!! E adoro ainda mais quando minha dizedora de poesia presenteia meus sentidos atendendo meus pedidos. Saudades!!!

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