domingo, 22 de novembro de 2009

Carpem diem

Deveríamos ter assistido ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos’, mas parece que essass marcações de filmes não dão muito certo quando a Eliana não está...ficamos sem filme e sem aula...aproveitei para estudar Fonologia que para mim mais parece grego...rs!!!

Portinari

Hoje fomos visitar a exposição de Portinari na própria PUC. Primeiro tivemos uma aula de história com a Eliana, para sabermos a história do lugar onde estávamos indo. Copiei o que existe na página da PUC para repassar para vocês.


O Arquiteto Grandjean de Montigny

August Grandjean de Montigny chega ao Rio de Janeiro em março de 1816 integrando um grupo de artistas e técnicos franceses – a assim chamada Missão Artística Francesa - trazido por D. João VI para desenvolver a indústria e a cultura brasileiras.
Arquiteto oficial, professor de arquitetura, paisagista e urbanista .
Conhecido e conceituado na Europa, tendo recebido, entre outros, o II Grand Prix de Rome e executado projetos na França, Alemanha e Itália.
Emigrou para o Brasil com a incumbência de projetar a sede da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, integrando o Instituto Acadêmico idealizado na Corte Diretor da Academia em 1834.
Patrono da Arquitetura no Brasil.
Morou no Rio de Janeiro, onde construiu sua residência, até seu falecimento.
Suas principais obras
• Alfândega – II Tribunal do Júri atual Casa França Brasil.
• Mercado - demolido
• Senado - projeto não executado
• Biblioteca Imperial – projeto não executado
• Escola Real de Ciências Artes e Ofícios – demolido. O frontão encontra-se no Jardim Botânico
• Sua residência na Gávea o Solar Grandjean de Montigny – CCPUC-Rio.
• Realizou trabalhos como urbanista e paisagista

Residência na Gávea
"É anterior a 1831, a casa de residência do mesmo Grandjean porque foi retratada por Debret que, nesse ano, deixou o Brasil. Ficava na Rua Marques de São Vicente na Gávea, a qual soube ter compromisso com as nossas casas de chácara e apresenta igualmente, inequívoca ascendência européia: por causa do compartimento circular que lhe marca o eixo aos fundos, provido de graciosa entradinha, delimitada por pilastras, encimadas de um minúsculo frontão e pelas telhas de canal ...” Prof. Paulo Santos
Em 1980 depois de restaurado foi revitalizado como o Solar Grandjean de Montigny - Centro Cultural da PUC-Rio .
Até é o espaço para realização de atividades culturais e artísticas e representa um elo especial entre a Universidade e a comunidade.



Portinari é tudo aquilo que já sabemos e um pouco mais. Disse a Eliana que falamos tanto em memória durante as aulas e eu tenho Portinari na minha memória, os quadros dele parecem que me acompanharam a vida toda. Ela disse que essa impressão deve-se ao trabalho do Projeto Portinari que popularizou suas obras. Como é possível e permitido a reprodução, colocarei aqui os dois quadros que mais chamaram a minha atenção na exposição. O primeiro porque achei muito chocante as pessoas chorarem a ponto dos olhos parecerem sai nas lágrimas e o segundo por conta da sensação de vazio que me deu ao ver esses espantalhos guardando a plantação vazia.


Ausência

Minhas infinitas provas de redação me obrigaram a faltar novamente....snif...snif...snif...

RECORDO AINDA...

Recordo ainda ... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite mortal!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada fora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Meus oito anos


Começamos vendom um balangandã e aprendendo que ele é uma forma das mulheres se aquecerem e contarem as outras coisas do universo feminino.
A infância é uma pátria diferente, compara o passado e o presente.

Talvez oito anos englobem muitos anos dentro do que vou contar. Quando meu avô morreu, saímos do apartamento na Tijuca e fomos morar na casa em Jacarepaguá. A casa foi construída pelo meu avô, foi a segunda casa construída nesse bairro, sem as dimensões das fazendas ou chácaras da época. Entre a Av. Sernambetiba e Jacarepaguá, meu avô optou pela segunda por achar que a primeira não tinha futuro. A casa era enorme, o quintal idem. Para mim, sair da Tijuca e ir até lá equivalia a viajar Rio-SP. Mas quando chegávamos para ver as obras, antes da mudança, eu enxergava quase um parque de diversões naquele terreno todo. A casa era tão grande que foi dividida em duas casas independentes. Minha avó morava nos fundos e nós na casa da frente. Durante as obras, moramos eu, meu pai, minha mãe e meu irmão num acampamento na copa e na cozinha. O que era um estresse para minha mãe, para nós era uma festa! O colchão no chão da casa improvisada...como nossos acampamentos de lençóis no quarto.
O quintal tinha cajá, sapoti, muita manga, banana, manga, laranja da terra, manga, goiaba, manga, mamão, manga, abóbora, manga, tomate, manga, chuchu, manga, balanço, galinheiro, piscina, pista para andar de bicicleta, pneus (porque ainda não existia dengue), flores e folhas de todos os tipos e cores para minhas bonecas se deliciarem com minha culinária....Também tivemos inúmeros cachorros (sempre um de cada vez), gatos, coelhos, porquinhos-da-índia, passarinhos, morcegos (que não eram nossos, mas existiam) e pintinhos da feira de animais (que teimavam em virar galos, nunca eram galinhas).
Lembro que adorava a época das mangas porque todos batiam a nossa porta para pegar as sacolas repletas....Como eu comia manga! E quantas horas eu passava sem poder tomar leite porque minha avó não deixava.
Tinha também o quintal da casa da minha avó paterna onde todos os domingos ia brincar com meus nove primos (hoje somos 22, desde o último censo familiar) e todos eram meninos! Sei que quando enjoava de tanta pipa e futebol chorava tanto que colocava toda a “homarada” para brincar de casinha.
Foi também com oito anos que tive um edema cerebral e fui parar no hospital...mas isso contei em outra página da minha memória.
Aqui posso dizer que minha infância acabou quando mais ou menos aos 25 anos venderam e derrubaram essa casa.

Canudos


Estamos na Semana de Letras e também do Seminário de Euclides da Cunha. Como no semestre passado estudei esse autor em literatura e Cultura Brasileira optei por assistir ao filme “Canudos”, já que no outro semestre apenas vi flashes da história.
Fico triste com o buraco histórico que a minha geração carrega. Antônio Conselheiro para mim tinha sido um vilão e a Guerra dos Canudos tinha sido um grande trunfo da República. Realmente toda história tem muitos lados....Canudos foi um massacre de inocentes. Eu já tinha aprendido isso, mas imagino que talvez, se não fosse Euclides, essa verdade jamais teria aparecido.
Euclides fez um relato que interferiu na forma de sabermos a história. O filme tem uma fotografia lida e é muito bem feito. Pela primeira vez fiquei com vontade de ler “Os Sertões”...anotei na minha caderneta de campo como a próxima coisa urgente a fazer!

Por parte de pai


Discutimos sobre o livro “Por Parte de Pai” de Bartolomeu Campos Queiroz.
O livro me emocionou muito, primeiro porque meus avós morreram cedo, principalmente o avô por parte de pai. Esse convívio delicioso do colo do avô eu não tive ou tive muito pouco, já que o materno falesceu quando eu tinha 4 anos. Sempre peguei os avós dos outros emprestados e dessa vez tomei o avô do Bartolomeu.
O livro tem a delicadeza e a sutileza dos avós que já atravessaram boa parte da vida e sabem deixar de lado essas quinquilharias que carregamos nos ombros quando somos mais jovens.
Duas coisas foram colocadas no debate:
1- O fato do autor ter usado como artifício narrativo um adulto escrevendo com a perspectiva de uma criança. Isso me fez lembrar muito Mário Quintana na poesia “O Circo O Menino A Vida”
2- O fato do avô apresentar um comportamento tipicamente infantil, que é a mania de escrever nas paredes.
Seguem alguns trecho que destaquei do livro para dar um gostinho e uma vontade de ler:
“ Nunca recebi dez com louvor,
Sempre sete com distinção”

“ A casa do meu avô foi meu primeiro livro.”

“ Viver sem esperança é como ter casa sem janela.”

“ Havia tanto mundo para ver, dava até preguiça...Uma coisa meu avô sabia fazer: olhar. Passava horas olhando o mundo...Ele não via só com os olhos. Via com o silêncio.”

“ Para quem sabe ler, um pingo nunca foi letra.”

“ Entre pensar e fazer, existia uma viagem grande e eu sempre me perdia no caminho.”

“ Para um homem que não mais saía de casa, “sete léguas” era muito mundo.”

“ Dor, quando é demais, não dói.”

“ As palavras têm muitos gostos – pensava – e era impossível saber seus sabores verdadeiros.”

“ Os olhos precisam de conforto.”

domingo, 15 de novembro de 2009

Richoeur


Cheguei e fiquei sabendo que a aula seria a ida ao seminário sobre Lichoeur. Puxa! Me senti tal qual Herbert Vianna entrando de gaiato no navio...Não sabia de quem estavam falando, aliás não sabia nada...E aí, vem o velho problema dos seminários acadêmicos: as pessoas sentam e lêem páginas e mais páginas....INFINITAS para os que apenas assistem. Não sei se as pessoas possuem uma concentração melhor que a minha, mas eu, antes da metade da leitura não estou mais prestando atenção em nada do que está sendo dito, SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO! E a falta de capacidade de compreender o que estava acontecendo foi dando um sono absurdo. tentei buscar o resto da minha concentração...ouvi algo sobre Freud, não me perguntem o que, meu olho pesou, fiquei ponderando o que era pior: ficar e dormir ou sair! Pensei em tudo o que tinha para fazer e saí....Pode não ter sido a melhor escolha, pode ser que me arrependa por ter optado pela ignorância naquele momento, mas sucumbi!

Para não ficar na ignorância:
Paul Ricoeur (Valence, 27 de Fevereiro 1913 - Chatenay Malabry, perto de Paris, 20 de Maio de 2005) foi um dos grandes filósofos e pensadores franceses do período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial.
Foi no pós-guerra académico na Universidade da Sorbonne. Passou também pelas universidades de Louvaina (Bélgica) e Yale (EUA), onde fez uma importante obra de filosofia política. Ricoeur participou em debates sobre a linguística, a psicanálise, o estruturalismo e a hermenêutica, com um interesse particular pelos textos sagrados do cristianismo.
Cristão e antitotalitarista, notabilizou-se pela oposição à guerra da Argélia (1954-1962) e à da Bósnia, em 1992. Entre as suas obras contam-se Histoire et Verité (1955), Soi-même comme un autre (1990), La Memoire, l'histoire, l'oubli (2000) e L'Hermenéutique biblique (2001).
Morreu sexta-feira, dia 20 de Maio de 2005, noticia o Jornal de Notícias

Dessa vez quem não compareceu fui eu

Não pude comparecer à aula. As férias "suínas" que terminaram em meados de agosto, de vez em quando refletem no acúmulo de trabalhos, de provas a corrigir e eu acabo precisando faltar a faculdade para ficar na escola tentando dar conta de tudo. Sei que hoje teve a discussão do filme, uma pena que não tenha participado!

Nós qua aqui estamos, por vós esperamos...


Assistimos uma retrospectiva do séc XX através do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos". Lembro que quando ouvi o nome desse filme, na época em que foi lançado, logo fiquei com muita vontade de assisti-lo por causa do título. Achei tão bonito....Um dia comentei isso com uma pessoa da faculdade, a "estraga prazeres" me disse que essa frase era uma inscrição na entrada de um cemitério! Fiquei tão chocada que desisti de assistir ao filme. Pura bobagem! Nós que nascemos no século XX e somos frutos dele, temos o dever de assistir esse longa. Achei interessante que os fatos apareçam a partir de histórias de pessoas comuns, que não foram personagens principais do século. Me deu a impressão de que de alguma forma estamos imprimindo na história da humanidade a nossa passagem terrena...estou imprimindo a minha, talvez agora, nesse blog! Quem sabe um dia ele não sirva para algum pesquisador? Eu que aqui estou, espero por isso! rs....

A falta que você me faz
















Hoje não houve aula. Eliana já tinha avisado que faltaria, mas disse que iríamos assistir um filme. Ninguém apareceu para passar o tal filme e a tarde ficou vazia....Mas a página não ficará. Como meus textos estavam num rascunho e só hoje pude publicá-los no blog. Vou colocar umas fotos que tirei de poesias escritas num muro no Morro de São Paulo na Bahia. São para Eliana, que me fez lembrar que ainda escrevemos nos muros como se escrevêssemos nas paredes das cavernas....

Conversando sobre relatos

O trânsito caótico do Rio de Janeiro fez com que eu chegasse atrasada hoje. Perdi a leitura que Eliana fez do seu relato (a história do vigia que acreditava que a casa era mal-assombrada), uma pena. Passamos a aula falando ainda sobre relatos. Eu não anotei nada nessa aula, passei o tempo prestando atenção no que Eliana dizia e cometi o pecado de não registrar nada nem na hora e nem no dia seguinte. Sei o assunto, mas não sei escrever sobre ele...Para tentar amenizar minha falha deixo aqui o texto que Eliana citou e que posso reproduzir porque achei tão lindo que me preocupei em anotar o nome.

Os cisnes
A vida, manso lago azul algumas
vezes, algumas vezes mar fremente,
tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
matinais, rompe um sol vermelho e quente,
nós dois vagamos indolentemente,
como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
quando chegar esse momento incerto,
no lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

Júlio Salusse

O Cativo

Ouvimos e lemos nossos relatos, novamente os universos de cada um foram expostos. A história da Rafaela era triste, muito triste, não havia o que pudesse florear...mas havia relatos que mesmo tristes foram expostos de tal forma que em alguns momentos chegamos a rir. Foi o caso de uma pessoa que relatou o dia do golpe de 64, comparando os tanques a elefantes. Fiquei encantada com tudo o que ouvi. A Eliana também veio com a história do vigia que não queria deixá-la entrar na casa recém-alugada para ser seu escritório pois acreditava que era uma casa mal-assombrada. Então, Eliana aproveitou-se do fato e deu de presente para ele uma coleção de livros que falavam de fantasmas.
Depois lemos o texto "O Cativo" de Borges, que encerra esse meu relato. Texto maravilhoso! Depois da leitura, prosseguimos falando de memórias e da forma belíssima e sucinta que Borges tem de relatar algo.
"Eu quereria saber o que ele sentiu naquele instante de vertigem em que o passado e o presente se confundiram: quereria saber se o filho perdido renasceu e morreu naquele êxtase ou se conseguiu, como uma criatura ou um cão pelo menos, reconhecer os pais e a casa." (Borges-O Cativo)