domingo, 22 de novembro de 2009

Meus oito anos


Começamos vendom um balangandã e aprendendo que ele é uma forma das mulheres se aquecerem e contarem as outras coisas do universo feminino.
A infância é uma pátria diferente, compara o passado e o presente.

Talvez oito anos englobem muitos anos dentro do que vou contar. Quando meu avô morreu, saímos do apartamento na Tijuca e fomos morar na casa em Jacarepaguá. A casa foi construída pelo meu avô, foi a segunda casa construída nesse bairro, sem as dimensões das fazendas ou chácaras da época. Entre a Av. Sernambetiba e Jacarepaguá, meu avô optou pela segunda por achar que a primeira não tinha futuro. A casa era enorme, o quintal idem. Para mim, sair da Tijuca e ir até lá equivalia a viajar Rio-SP. Mas quando chegávamos para ver as obras, antes da mudança, eu enxergava quase um parque de diversões naquele terreno todo. A casa era tão grande que foi dividida em duas casas independentes. Minha avó morava nos fundos e nós na casa da frente. Durante as obras, moramos eu, meu pai, minha mãe e meu irmão num acampamento na copa e na cozinha. O que era um estresse para minha mãe, para nós era uma festa! O colchão no chão da casa improvisada...como nossos acampamentos de lençóis no quarto.
O quintal tinha cajá, sapoti, muita manga, banana, manga, laranja da terra, manga, goiaba, manga, mamão, manga, abóbora, manga, tomate, manga, chuchu, manga, balanço, galinheiro, piscina, pista para andar de bicicleta, pneus (porque ainda não existia dengue), flores e folhas de todos os tipos e cores para minhas bonecas se deliciarem com minha culinária....Também tivemos inúmeros cachorros (sempre um de cada vez), gatos, coelhos, porquinhos-da-índia, passarinhos, morcegos (que não eram nossos, mas existiam) e pintinhos da feira de animais (que teimavam em virar galos, nunca eram galinhas).
Lembro que adorava a época das mangas porque todos batiam a nossa porta para pegar as sacolas repletas....Como eu comia manga! E quantas horas eu passava sem poder tomar leite porque minha avó não deixava.
Tinha também o quintal da casa da minha avó paterna onde todos os domingos ia brincar com meus nove primos (hoje somos 22, desde o último censo familiar) e todos eram meninos! Sei que quando enjoava de tanta pipa e futebol chorava tanto que colocava toda a “homarada” para brincar de casinha.
Foi também com oito anos que tive um edema cerebral e fui parar no hospital...mas isso contei em outra página da minha memória.
Aqui posso dizer que minha infância acabou quando mais ou menos aos 25 anos venderam e derrubaram essa casa.

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