terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pedaços de mim

Hoje começamos lendo "Guilherme Augusto Araújo Fernandes" , uma história infantil que fala sobre memória, a mesma que trabalhei no Simpósio Internacional de Contadores de História no início de agosto...que belo reencontro. Falando em memórias pra cá, em memórias pra lá...não deu outra: tivemos que recordar um fato importante das nossas vidas e relatar para um colega. Fiz dupla com a Rafaela. Primeiro a difícil escolha do tema. Mil coisas vêm a nossa mente, mas o que seria interessante o outro ouvir? Sei lá! Resolvi relatar uma coisa onde o meu relato em si já é impregnado de outros relatos:
Quando eu tinha uns 7 anos, minha mãe saiu e me deixou em casa com sua madrinha, que na época devia ter uns 90 anos. Eu estava desenhando na mesa da cozinha e ela colocou um leite no fogo e esqueceu a leiteira no fogão. O leite ferveu, apagou o fogo e eu fiquei ali por muito tempo inalando o gás, até que tivesse a percepção do cheiro e fosse no fogão desligar o acendedor. Isso ocorreu à tarde, à noite já comecei a passar mal: vomitei, tive alucinações, que é o que me lembro com mais nitidez...as bonecas dançavam, coisas pulavam, conversava com minha no quarto e ela nem estava lá. Até que desmaiei. Meus pais chamaram a ambulância e aí minhas lembranças são apenas flashs: lembro de ver minha mãe entrar na ambulância, apaguei, lembro do aparelho de tomografia, de onde tentei levantar, levei uma cabeçada, apaguei de novo, lembro de estar no colo do meu pediatra, ele conversando comigo, apaguei...lembro de colocarem o soro no meu braço, eu chorava muito e apaguei de novo. Sei que fiquei 1 semana no hospital. Tive um edema cerebral que os médicos não entendem como dissolveu e como não trago sequelas. Não lembro dessa história do leite, do gás, lembro que estava desenhando e lembro das alucinações, o resto "me contaram que eu contei". Do hospital lembro de um menino que já estava lá há 8 meses e que tudo era motivo para me ameaçarem de ficar lá esse tempo: se não comer, vai ficar aqui igual a ele, se não tomar o remédio vai ter que ficar aqui....lembro que dormia com o soro esvaziando e ficava arrasada porque acordava com ele cheio novamente. Também lembro que a volta para casa foi uma festa, recebi todas as visitas que pude, ganhei todos os brinquedos que quis, comi tudo o que pedi! Fiquei um tempo sem poder ir à escola até que minha " memória"(olha ela aí!) voltasse ao normal, porque a princípio esquecia de tudo com muita facilidade! É isso....

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